Nada mais “surpreendente” do que ter amigos que pertencem a um “gang”… Só que não.

O que vao ouvir e ler foi também a principal razao pela qual eu tive de abandonar a casa dos meus pais.

Prior Velho, este local repleto de interesses e de gente amigável, nada conflituosa, misturando culturas oriundas das mais variadas partes do mundo e vivendo em comunidade e plena harmonia… Não, espera, tou mesmo a ser sarcástico.

Eu nasci e cresci até aos meus 19, 20 anos mais ou menos no Prior Velho e até tenho algumas recordações do tempo que la passei. Eu morava mais propriamente na Quinta da Francelha de Baixo com os meus pais até uma certa idade, e do outro lado da rua, um pouco mais acima ficava o Figo Maduro, ou mais para englobar o território, o Casal do Figo Maduro.

Houve uma altura que algumas pessoas começaram a sair deste local, cada um com objectivos de vida diferentes, as crianças que la viviam e com as quais eu estava sempre também se mudaram, e o local ia cada vez ficando mais vazio. Eu não tinha muito para onde ir, então tinha de ficar na casa dos meus pais, estes, já falecidos.

Entretanto, por intermédio de outras pessoas, e visto que aqueles que eu considerava como amigos também tinham ido fazer a sua vida noutras terras e países, comecei a conhecer outros indivíduos que moravam mesmo no centro do Prior Velho. Nomeadamente tipos como Nelo (um tipo com a mania que dava a volta ás chavalas e as comia todas), Moedas (que filha da pu@@ de alcunha para se ter, dasss), Quim (um gajo que tinha problemas mentais e auditivos muito graves mesmo), e uns outros que eu agora nao me lembra o nome.

Este Nelo, e Moedas e uns outros quantos, eram todos amigos uns dos outros, e eu não sabia que todos eles faziam parte de um gang que na altura não sabia, nunca me o disseram. Como eu não tinha muitas pessoas conhecidas nessa altura, eu dava-me com esta gente porque a mim não me faziam mal nenhum. Eu confiava neles, dava-mo-nos bem, deixava eles entrarem na minha casa quando eu não estava, entregava as minhas chaves, cozinhavam, viam TV quando eu tinha electricidade, muitas vezes até dormiam lá (uns depois nem queriam sair… Paulinho esta é para ti), enfim, ainda assim, na minha boa fé, eu confiava nestas pessoas e eram como irmãos e grandes amigos… Mal sonhava eu no que estava prestes a acontecer uns meses mais tarde.

Onde morava o Nelo e o seu irmao

Como era normal, de vez em quando la levavam outras pessoas, comida, CDs para ouvirmos musica, de vez em quando lá fazíamos uma “party”, e quando lá ficavam a dormir, levavam roupa para o dia seguinte, mas não era qualquer tipo de roupa, era roupa e ténis de marca, na altura caríssimos, e obviamente que no senso comum de cada um, todos eles tinham que ter responsabilidade pelos seus artigos de vestuário e não só. Eu creio que as vezes até traziam pessoas a minha casa que nem eles mesmo conheciam, mas era na boa para mim na altura.

Um belo dia de ter havido alguém que saiu da minha casa, e levou uma ou mais pecas de roupa que não lhe pertenciam, aparentemente e ao que sei foram umas calcas de fato de treino. Obviamente que eu não andava a controlar as coisas dos outros, mas o que é certo é que essas calcas nunca mais apareceram, e com quem vieram eles ter? Comigo. Pois a peca desapareceu em minha casa e na visão deles, eu é que era o responsável pelo artigo desaparecido.

Bom, isto passou-se, e depois comecei a notar que estes tipos já não frequentavam tanto a minha casa como antes, as visitas eram cada vez menos e o ambiente começou a ficar pesado e de cortar á faca até entender o porque. Até que um dia recebo em casa uns amigos deste tal Moedas e Nelo, e não sei muito bem como explicar como foi esse momento, mas sei que fui ameaçado, chegaram-me a agredir, um deles apontou algo que se parecia com uma arma, creio, e outro tinha uma espécie de “catana” ou algo assim. Basicamente colocaram-me um ultimato, em que as calcas de fato de treino tinham de aparecer na semana em que recebi a visita deste grupo de 4 indivíduos porque este artigo tinha desaparecido em minha casa. E eu nem usava calcas de fato de treino. Mas para todos os efeitos, eles achavam que era a minha obrigação fazer as calcas aparecerem assim do nada.
Como sempre, eu tentei explicar que não sabia que tipo de vestuário era, quem tinha levado, e que podiam revistar a casa toda se isso os fizesse sentir melhor, mas não valeu de muito.

Um dos edifícios onde morava o “Moedas”

Passado uns dias, estava eu a dormir e nisto batem á porta e á janela do meu quarto de uma forma constante e forte (eu vivia num rés-do-chão), ainda não era meia-noite e lá vou eu em direcção á porta de casa para ir ver quem é. Assim que eu abro a porta vejo uma sombra de alguém a esconder-se, era de noite, eu não tinha electricidade e não pude ver quem era ao certo. Como eu já tinha recebido ameaças antes, pressupus que fossem os mesmo que me tinham visitado dias antes a ameaçar-me e armados, e depois vim a saber que sim, tinham sido essas mesmas pessoas. Nessa noite liguei para o meu vizinho do 2ndo andar, o Paulino, e pedi-lhe que viesse rapidamente a minha casa porque algo não estava a correr bem, mas não chegou a vir. O meu vizinho do lado, Sirineu, tinha uma cadela que assim que alguém se aproximava começava a ladrar e nunca mais parava, foi então a dada altura que este grupo teve de se retirar e logo a seguir retirei-me eu, para sempre. Até hoje.

Antes disso, e derivado a este mesmo problema com uma simples peca de roupa, em modo de vingança, entraram na minha casa um dia, e literalmente destruíram tudo o que se encontrava no seu interior e (isto vai parecer estranho) mas defecaram em tudo o que era sitio. Foi então que percebi que eu estava metido num meio que não era o mais favorável para mim e possivelmente eu poderia estar em grande perigo. Os amigos a serio que tinha na altura e que os considerava como tal, não estavam por perto, logo, não tinha muita gente que me defendesse, nem os meus vizinhos – aqueles que conheciam a família Corrente – se metiam para ajudar no que fosse, até porque a maioria não gostava desta família. A minha.

Depois, então de ter saído para sempre da casa onde morava, isto depois da visita destes 4 indivíduos, sei que nessa mesma noite, só levava vestido uma t-shirt, as calcas que tinha vestidas (e nao eram de fato de treino), e nada de documentação ou papeis, nada. Por acaso conhecia um amigo do Paulo, irmão de um colega meu, e felizmente essas pessoas deixaram-me lá ficar em casa deles durante umas semanas, deram-me roupa, comida e tentei sobreviver durante um tempo como podia e lá me fui tentando virar. Mais tarde fui a minha casa, de dia para ir buscar pelo menos os meus documentos, e desde esse mesmo dia nunca mais apareci lá até hoje.

Moral da historia:
Com o tempo, percebi que nem todas as pessoas que estão ao nosso lado e nos fazem rir e por vezes passar um bom tempo, sao na verdade nossos amigos. Estes tipos, como muitos outros que eu irei falar no futuro, jogaram muito bem e aproveitaram-se ao máximo que puderam para me prejudicarem. Tiraram vantagem de eu não saber nada da vida na altura e nunca ter passado por problemas, e saberem que eu não sabia o que fazer em certas situações, porque nunca ninguém me tinha aberto os olhos, e todos sabiam que eu estava sozinho. E por causa de Nelos, Moedas, Cristinas, Sameiros e muitos outros que eu prometo e juro que irei falar no futuro, por causa de pessoas como estas é que infelizmente, ou felizmente se formos a ver bem as coisas, é que eu estou a viver fora de Portugal. Nesse ponto tenho de os agradecer porque a minha vida só melhorou depois de me te afastado deles. Mas por outro lado, se calhar a estas horas eu ainda estava em casa dos meus pais, estaria a trabalhar, e até podia estar bem, e a casa podia até ter ficado para a minha filha.

Enfim, é lixado quando nos damos com as pessoas erradas.

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