Epilépsia e Álcool – Mistura Fatal

No passado dia 8 de Fevereiro, as coisas podiam ter corrido muito bem até ao final do dia no pub onde trabalho se não fosse o facto de termos tido uma cliente com problemas de epilepsia. Claro que nem todas os problemas deste tipo sao visíveis de imediato, mas tudo começou com duas adolescentes (na faixa dos seus 19 e 20 anos mais ou menos) consumindo normalmente e apanhando a sua tosga. Depois de terem comido a sua refeição decidiram que era hora de apanhar a “pu@@”. Uma cerveja, duas, tres, e por ai adiante até ficarem com um bom “grão na asa” como se costuma dizer em Portugal.

Na minha inocente opinião, eu acho que quem tem este tipo de problema, devia moderar a sua atitude em relação ao álcool, pode ser duas coisas que não ligam muito bem, mas isto sou eu a pressupor, não sei… Mas acredito que tenha de haver certos cuidados e evitar certas coisas.

A certa altura, e já “bebidas”, uma delas começa a ter ataques de epilepsia e embora a amiga tenha pedido ajuda a certos clientes, só mesmo a nossa Manager foi capaz de dar conta da situação embora muita gente quisesse mesmo ajudar. Mais ninguém, nem eu, fomos capazes de arranjar uma solução ou ambiente adequado ao problema em questão. Para quem não tem muito bem a noção do que é realmente a epilepsia pode clicar aqui.

Eu nem me dei muito bem conta do que se estava a passar quando tudo começou, só sei que de repente começou a haver alguma agitação perto da mesa 25, haviam dois managers de serviço que correram logo para a área onde a ocorrência estava a acontecer e eu já estava a terminar o meu turno que supostamente era para ser a meia-noite. Eu pouco ou nada podia fazer assim que soube do que se tratava, logo, eu não iria ser uma grande ajuda para a rapariga de 19 anos que tinha tido o ataque. Algumas pessoas tentaram ajudar, incluindo a amiga dessa mesma pessoa, mas a ambulância chegou cerca de 30 minutos depois de ter sido chamada ao local.

Enquanto a ambulância não vinha, algumas pessoas aplicaram os métodos necessários para quem tem problemas epilépticos, deitaram de lado, tentaram fazer com que a pessoa não se ferisse a ela própria derivado ás convulsões, e acredito que não tenha sido fácil. Eu tenho um curso de primeiros socorros, mas onde vivo não valem de muito, até porque muita coisa já esqueci, então decidi abster-me e ficar por lá caso fosse mesmo necessário.

A ambulância então chegou, os paramédicos fizeram o seu trabalho, e depois de uma hora de aflição e preocupação, a adolescente de 19 anos lentamente vem a si e começa a dar-se conta do que realmente se passava á sua volta. Mas devido ao facto de estar ainda sob efeito de álcool, esta pessoa não foi propriamente educada e grata em relação ás pessoas que de certa forma lhe salvaram a vida, e evitaram que o pior acontecesse. Muito álcool no sangue e no cérebro, fizeram que esta “miúda” de 19 anos conseguisse ser rude e arrogante para com os paramédicos que, ainda assim, ficaram lá, perto dela por muito mais tempo. Talvez nao fosse só o alcool, mas sim a educação que ela teve, que pelo que pude ver, falhou e de que maneira. Mas enfim…

Agora vem aquela parte onde as pessoas normais como eu e muitos que presenciaram a cena, perguntam e questionam-se sobre certas coisas básicas, como por exemplo: onde estão os pais destas adolescentes?, qual foi a parte da educação dada a estas pessoas que realmente falhou?, como é que uma pessoa consciente do problema que tem, nao toma medidas necessárias antes destas coisas eventualmente acontecerem?, e muitas outras perguntas possivelmente sem resposta, ou pelo menos não com a resposta que todos nós preferíamos ter.

Claro que isto não é um artigo para julgar quem esta bem, ou quem esta mal, e muitas pessoas que conhecem este país sabem que há certas coisas que podiam ser diferentes, principalmente a nível educacional. E este foi mais um exemplo de como algumas famílias falham quando se trata de educar menores, ou até mesmo adolescentes. Óbvio que a gente não sabe o que vem de trás, não sabe a vida pessoal de cada um, mas a meu ver, o facto desta adolescente se ter metido num bar com uma amiga que parecia toxicodependente (porque tinha estilo disso) é logo uma prova de que não houve ninguém suficientemente responsável para olhar por estas pessoas, e evitar este acontecimento tivesse corrido. Em parte acho que ela teve sorte porque da ultima vez que alguém teve um acidente no pub, a ambulância demorou 3 horas a chegar ao local. E o hospital mais próximo fica a 10 minutos do pub a pé.

Enfim, não foi uma situação muito boa e foi um pouco assustadora. Mas a bacana está viva e pronta para outra. Teve sorte que felizmente estavam lá pessoas para ajudar, senao o desfecho podia ser outro.

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