Custou-me caro contar na escola o que se passava em casa

O ambiente que eu vivia em casa dos meus pais não era dos melhores. Eu era privado de muitas coisas, não tinha muitos amigos, via as outras crianças a brincar na rua e eu era obrigado a ficar em casa como um prisioneiro e a assistir a merdas dentro de casa. Quase todos os dias era a mesma coisa: os meus pais a discutir e a envolverem-se em tareias e porrada que não acabava e raramente estavam de bom humor e faziam coisas juntos. Na altura não haviam as tais assistentes sociais e os vizinhos esses nem se metiam para parar uma discussão ou até mesmo para chamar as autoridades quando era necessário. Infelizmente era uma mistura de álcool com mentes fracassadas e depressivas juntamente com fúria e rancor da vida. O porque nunca entendi.

Aos 6 anos de idade, finalmente vou para a escola primaria.
Novos amigos, novas caras, uns ate descobri depois que moravam ali perto da minha casa, interação com outros adultos que não fossem da família, podia brincar com outros colegas e sentia-me livre, talvez a escola fosse o único local onde eu estava bem.
A nossa professora chamava-se Maria Isabel Lobo e foi a minha professora até á 4rta classe, só que depois repeti o ano e calhei com um professor que tinha um fetish com réguadas. Sim, no meu tempo de escola primaria era normal levarmos réguadas quando não sabíamos algo ou nos portávamos mal. Enfim, na altura eram estes os métodos de ensino que os professores usavam.

Nos nossos primeiros dias de aulas, haviam sempre varias actividades, e algumas delas eram usadas para nos conhecermos melhor. Mas houve um dia que essa actividade foi feita e chegou a minha vez de falar. Acho que nesse dia as pessoas me conheceram até bem de mais,… a mim, e aos meus pais. Eu literalmente falei tudo e mais alguma coisa de cenas que ocorriam dentro da minha casa (ou a casa dos meus pais neste caso), nada escapou. Rigorosamente nada. Talvez eu com os meus inocentes 6 anos de idade precisasse mesmo disso, de falar. Eu nao tinha amigos porque os meus pais nao deixavam.
Mas falei tudo: as discussões dos meus pais e respectivos detalhes das discussões, o quando os meus irmãos iam lá a casa e o que faziam e diziam, as piadas que os meus pais diziam um ao outro e que nem sempre eram engraçadas, tudo e mais alguma coisa que eu me lembrasse.

Escusado será dizer que foi um dia de aulas bastante interessante.
O que eu não sabia e não tinha noção, era que depois de vir para casa as coisas nesse dia iam ser bastante duras e esperava-me um cinto e um chinelo. A minha professora lá se comunicou com os meus pais e contou a eles o que se tinha passado, neste caso que eu tinha contado na escola toda a vida privada dos meus pais. Quando o meu pai me foi buscar á escola e chegámos a casa foi então aí que começou o desencadear de bofetadas, chineladas, berros, cinturadas á mistura, empurrões e etc, tudo mais da parte do meu pai (acho que foi aí que ele começou a achar que bater na minha mãe não era suficiente e continuou em mim também).

Se aprendi a lição? Eu tinha 6 anos crl.
O meu pai era uma besta, e eu não sabia nada da vida nem as consequências que isso me podia trazer. Eu não saia de casa nem tinha amigos, e quando tentava brincar dentro de casa os meus pais queriam era dormir ou, na maioria das vezes estavam á porrada, literalmente.

Se os meus pais podiam ter uma atitude diferente?
Óbvio que sim, só que hoje em dia entendo que visivelmente eles (mais o meu pai) estavam psicologicamente instáveis, mas completamente, e a minha mãe como estava com ele ficou pior. Mas isso depois é algo para desenvolver noutro artigo.

Conclusão: a educação e disciplina começa em casa, tive educação, talvez alguma disciplina, mas sempre estive “preso” em casa porque os meus pais achavam que o mundo la fora e as outras crianças não eram as mais indicadas por mim. Só na escola primaria as coisas começaram a ter um rumo diferente e pude talvez ter um pouco mais de liberdade.

Liberdade essa que não tinha em casa.

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