Desde que estou a trabalhar no restaurante onde me encontro, já alterámos por 3 vezes a forma como atendemos os clientes. A primeira foi aquilo a que denominamos como o dito normal, tudo ao mólho e cá vai disto, gente amontoada quase uns em cima dos outros, dezenas de pessoas no bar à espera para ser atendida, e um stress que não acaba.

Chegou o covid e os pubs, restaurantes e bares foram obrigados a fechar durante 4 meses e meio.

Após a abertura, são implementadas restrições e normas de funcionamento e distanciamento, assim também como o uso da máscara em lugares públicos. Menos lugares sentados, e existe agora uma fila de atendimento onde as pessoas têm de se colocar em cima de uma faixa ou circulo para que o distanciamento de 2 metros seja cumprido e sejam atendidas uma por uma ao balcão. Nós funcionários não podemos controlar todos os clientes e os seus comportamento. Avisamos, pedimos, orientamos e barramos se for necessário. Neste segundo método de trabalho e organização, as mesas de 4 lugares e 2 lugares não podem ser excedida a menos que haja crianças envolvidas, esta é a unica excepção. Todos os clientes têm de permanecer sentados, senão não serão servidos e só podem sair da sua mesa caso queiram ser atendidos ao balcão ou tenham um pedido diferente para fazer.

Claro que esta coisa do distanciamento e as marcas no chão, só duraram perto de 1 mês ou talvez nem isso. As marcas com o tempo começáram a sair, e as pessoas em vez de se consciencializarem e respeitarem as normas faziam fila sim, mas desta vez, em vez de 2 metros de distancia, preferiram ficar quase coladas umas ás outras. Se dizemos alguma coisa, ainda somos insultados. Por isso, no meu caso, caguei para a cena.

Finalmente, há uns dias atrás, parece que o Boris J. fez mais um comunicado. Eu confesso que não vejo muito as noticias mas sempre que possível os meus colegas ou managers informam-me de alguma alteração que possa ocorrer e que afete de alguma forma o estilo como trabalhamos. E isso aconteceu. Pela terceira vez houve alterações.

Desde a passada Quarta-Feira (dia 23) que as coisas ficaram um pouco mais complicadas, de tal maneira que até tive um manager que me chamou ao escritório e berrou comigo como nunca antes um manager ou patrão tinha feito. Isto, porque a cada dia, a forma de atender os clientes e receber os pagamentos e pedidos dos mesmos, muda. Sim, agora temos serviço de mesas como num restaurante á seria.

Eis a nova maneira como atendemos os clientes: O pub onde trabalho tem 3 secções de mesas, “rês-do-chão” por assim dizer, o “middle floor”, e o “top floor”. No middle e top as mesas estão reservadas para quem pode fazer os “iOrders” que consiste fazer um pedido através da aplicação para telemóvel. E depois temos o rés, em que agora temos ir ter com o cliente e atender como fazemos num restaurante normal, levamos o bloco, uma caneta e apontamos o pedido. Ou seja, este pub nunca teve serviço de mesas, daí nunca ter tido empregados de mesa á seria e ter apenas “runners”.
Antigamente, o cliente fazia o pedido no telemóvel, ou teria que se dirigir ao balcão para efetuar o pedido de bebidas ou refeição, isso mudou completamente. Já não é permitido.

Depois existe mais uma coisa que vem fazer com que o método torne tudo mais lento e complicado para alguns. Se o cliente se sentar no rés, após termos apontarmos o pedido, temos que perguntar ao cliente se vai pagar com dinheiro ou cartão. Se pagar com dinheiro, recebemos o valor, fazemos nós o pedido e o troco na registadora e deixamos que a pessoa do outro lado prepare as bebidas para a mesa (todas as mesas têm um numero especifico), se pagar com cartão terá que nos acompanhar até á registadora e o mesmo apenas precisa de colocar o cartão e inserir o PIN ou usar o cartão com contactless. Mais uma vez, os pedidos de comida vão para o monitor na cozinha, e as bebidas no monitor do bar. Depois é só levar cada item á mesa do cliente quando tudo estiver pronto a seguir.
Para além do já conhecido distanciamento social obrigatório, agora é também obrigatório o uso de máscara a todo o tempo entre os funcionários e clientes.

Claro que no inicio é sempre um pouco complicado e as coisas requerem um pouco de paciência, re-aprendizagem, e adaptação aos novos métodos de trabalho, mesmo que já estejamos ali vários anos. Tudo se aprende, e entre todos as coisas correr bem.

No que diz respeito a determinados managers, a historia não muda.
Carregadíssimos de stress e sempre com o poder a correr nas veias, há sempre um ou outro que não entende que os funcionários por vezes precisam de tempo para que possam se familiarizar com os novos métodos, especialmente se estes mudam todos os dias.

Até quando isto vai durar não se sabe. Mas sabe-se que tudo o que está a ser feito, é para evitar um segundo “lockdown”, dizem. Pois se isso acontecer, o estado não vai ajudar exatamente como no primeiro, e os 80% é para esquecer. Vai ser muito, mas muito mais difícil para tudo e todos. Talvez as coisas até funcionem desta forma, vamos a ver como corre.

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Blog De Um Tuga

Criador do blogue "blogdeumtuga.com" fala e escreve sobre as suas experiências pessoais e aborda alguns assuntos de interesse dependendo do seu ponto de vista e opinião pessoal. Fotógrafo amador e blogger português. WordPress site designer. Locutor / Broadcaster.

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