Custou-me quase 80 euros ter ficado em casa de um “amigo” de longa data

A mim acontecem-me as coisas mais surreais que possam imaginar, a minha vida é uma história do cara…cas. E este acontecimento da minha vida eu já ando há imenso tempo para contar. Finalmente esse dia é hoje.

Há coisa de 2 ou 3 anos eu precisei de ir a Portugal para renovar o BI (hoje chamado o Cartão de Cidadão). Infelizmente cada vez que eu tenho de viajar, levo sempre um orçamento curto para a minha estadia e para poder me mexer livremente no país para onde eu for. Quando isto acontece eu tento contactar algumas pessoas conhecidas, alguns até chamo de amigos, e tento poupar no alojamento. Dou uma ajuda a quem me acolher e poupo muito mais se estivesse numa pensão ou hotel.

Entretanto estive em casa de alguém onde já tinha estado outras vezes e onde sempre tudo correu bem, até que da ultima vez as coisas correram não tão bem como eu esperava.

Assim que chego a Lisboa, a pessoa que me foi buscar ao aeroporto teve de passar num posto de abastecimento para atestar o carro dele. Lá fomos nós ao posto e no final, a pessoa em vez de me perguntar se eu podia ajudar a pagar a gasolina, apenas se dirigiu a mim dizendo “Bem, agora vais ali e pagas porque é pré-pagamento”. Ou seja, a pessoa nem perguntou se eu tinha como, ou se podia ajudar a pagar o abastecimento, foi logo “…vais ali e pagas”. Tal e qual. Felizmente, por acaso eu podia, mas acho que seria mais correcto se me tivesse perguntado primeiro. Mas vindo da pessoa que era eu já devia estar a contar com esta situação.

Estive em casa desta pessoa durante 2 semanas. Raro foi o dia em que tive uma noite bem dormida. Crianças aos berros até as 4 ou 5 da manha, daí ás vezes eu acordar muito tarde; os pais esses nada faziam e um deles trabalhava durante a noite porque era padeiro/pasteleiro; privacidade zero porque eu dormia num sofá na sala; quase não parava em casa deles porque eu tinha outros assuntos a tratar para alem da renovação do CC e tinha de ir a outros locais; nunca passei fome e comia o que havia e nunca reclamei por isso; quase nunca havia muita interacção com as pessoas da casa porque na verdade os temas deles já não tinham muito a ver comigo. E foi assim durante duas semanas.
Eu já estava saturado e farto de estar naquela casa, mais valia ter juntado mais algum dinheiro e ter ficado numa pensão, mas aprendi a lição.

Até que finalmente chega a altura de me vir embora. Esta tal pessoa que era tao meu amigo e que eu conhecia desde a escola primaria ou até antes, senta-se comigo no sofá e num ar de superioridade, fala o seguinte “Bem, vais te embora daqui a 2 dias, certo? Então vamos a contas. Como sabes, estiveste aqui 2 semanas e como deves compreender há gastos e despesas que não tínhamos antes. Por isso, deves-me 80 euros.”

Eu naquele momento concordei com tudo e nem coloquei nenhuma imposição mas fiquei a pensar. É que noutras vezes em que eu lá estive, ele nunca me tinha pedido nada e fui sempre eu a oferecer-me para ajudar financeiramente. Lembro-me perfeitamente que de uma das vezes em que estive em casa dele, peguei em 30 euros e dei-lhe para a mão quando ele me foi levar á estacão de metro. Logo, por aí já podemos ver que eu não sou um gajo agarrado ao dinheiro como muitos que eu conheço.
Mas na minha maneira de ver as coisas, eu acho que a humildade é algo bonito e que todas as pessoas deveriam ter.

Possivelmente eu aceitaria o pedido mais abertamente se esta pessoa me dissesse por exemplo “Olha, como sabes eu estou sempre com dificuldades financeiras. Achas que se puderes, seria possível ter alguma ajuda tua uma vez que estiveste aqui e houve alguns custos e gastos?”, e ele nem precisava de o mencionar, eu era logo a 1ra pessoa a chegar-me a frente e ajudar de bom agrado e livre vontade como sempre aconteceu. Só que há uma grande diferença entre exigir e fazer um pedido expondo a situação como realmente ela é.

Tudo bem. Combinei com ele que esse montante seria transferido para a sua conta assim que eu chegasse ao meu destino no estrangeiro e assim que eu recebesse porque na altura eu nao tinha mesmo, era impossivel. Eu ja tinha o IBAN dele, tudo prontinho até que eu me lembrei que o meu gerente me tinha falado que todas as despesas que eu tivesse em Portugal seriam cobertas pela empresa para a qual eu trabalho, porque eu nao fui passar ferias, fui tratar de sssuntos pessoais importantes tambem relativos ao país onde eu vivo.

E eu pensei “Espera lá… Ele está a cobrar-me pela estadia em sua casa. Logo, ele sabe muito bem pelo que está a cobrar que, neste caso, só pode ser pelos gastos de agua, luz e comida”. Pela internet ele não podia cobrar-me porque eu estava a usar minha em roaming, e é de borla.
Ok, porreiro. Então se é assim, eu efectuo o pagamento a ele na mesma, mas eu quero um comprovativo feito por ele para que eu possa mostrar no meu trabalho e esse dinheiro me seja devolvido. Completamente justo e um pedido que não foi nada por aí além. Apenas um papel ou mail e descrever todos os gastos que eu efectuei para poder apresentar ao meu gerente.
Que mal tem isso?

Foi então aí que ele se sentiu com o cu apertado, porque ele tinha feito essa exigência, mas não sabia muito bem pelo que me iria cobrar, ou seja, não tinha como especificar ao detalhe o porque deste valor, mas isso já não era um problema meu, apenas quero o comprovativo e ponto final, e a seguir fazia-lhe o pagamento do valor que lhe devia.

Antes de eu sair da casa dele, a sua esposa sempre me disse que não era preciso eu me preocupar em lhes ajudar no que fosse a nível monetário porque eu era um amigo e não propriamente um desconhecido, mas, ao mesmo tempo andava a “fazer a cabeça” ao marido para que ele falasse comigo sobre este assunto. Ou seja, na minha frente não era preciso nada, mas depois andava a pressionar o marido para que ele me sacasse dinheiro. Nesta família é normal, não me admirava que isto viesse a acontecer.

Mais tarde, já no final, criei um grupo entre mim, ele e a esposa para combinarmos detalhes acerca da minha estadia na casa deles e acertar pagamentos, e enquanto eu fazia uma conversa informal para me poder orientar, os dois acabam por me insultar e acharem que eu estava a negar-me a pagar o valor que me tinha sito pedido.

Conclusão, já se passaram 2 ou 3 anos, e ainda estou á espera deste comprovativo para que finalmente lhe possa ajudar e lhe pagar os 80 euros que lhe devo. Já falei com a pessoa por telefone, já mandei mensagens, mas ao que parece, esta pessoa não está muito interessada em receber este valor. E atenção, eu nunca mencionei que não pagava.

Desta família eu ja devia estar á espera deste tipo de cenas, mas na altura a casa deles era o único local onde eu podia ficar. Ficar naquela casa, nunca mais, nem que fique na rua.

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