Nós portugueses temos uma cultura de facto muito boa, gostamos de literatura, cinema, teatro principalmente, e gostamos de apresentar ao mundo tudo aquilo que fazemos de melhor, não só quando estamos em Portugal, mas também quando estamos longe da nossa casa e das nossas raízes.

O povo português é muito amigável, dado, gosta de conversar, ajudar os outros, dar a conhecer a sua cultura dependendo do local e isso é algo que poucos países tem, já para não dizer que Portugal deve ser também dos poucos países que não tem conflitos e guerrinhas com outras nações. Basicamente a gente quer é que não nos chateiem. Certo?

Mas a coisa muda um pouco de figura quando estamos em outros países e trabalhamos com portugueses. Toda a gente sabe disto e muitos de nós ignoramos porque sinceramente não estamos para nos chatear com coisas sem relevância. Uma coisa que eu menciono muito é que como portugueses e latinos que somos, devíamos ser iguais ou um pouco mais tolerantes, prestáveis, olhar mais pelos outros e ser mais educados quando trabalhamos com pessoas da mesma nacionalidade e em terrenos diferentes. Como assim?

(É aqui que entra a minha história). Durante cerca de 1 ano e meio ou talvez um pouco mais, trabalhei num hotel no centro da cidade onde vivo. Comecei a conhecer outras pessoas, principalmente da mesma nacionalidade que eu, e quase que me sentia em casa. Havia também britânicos, polacos, húngaros, venezuelanos e até chineses. (LOL, como eu me lembro tao bem da Kely e da Vicky)! Enfim, todas as nacionalidades e pessoas a trabalhar como equipa, umas mais preguiçosas, outras nem tanto, uns mais trabalhadores, outros nem por isso, mas ainda assim a coisa ía e chegava o fim de semana e éramos pagos normal.

Numa postagem futura, irei falar um pouco de como era trabalhar neste local mas de uma outra perspectiva. Vai ser interessante!

Como todos sabemos, (deve ser quase a mesma coisa entre outras nacionalidades), quando um português trabalha durante muitos anos num local e alcança um posto mais elevado, como por exemplo Director, Supervisor, Guest Relations, etc, etc, o mesmo tem a tendência de se sobrepor àqueles cuja a posição ou cargo sao inferiores. É verdade ou não é? Hum?

Havia um concierge português, que passou da posição que tinha para supervisor de F&B (Food and Beverage). Nestes casos a pessoa tem a obrigação de manter o local a trabalhar na melhor das maneiras e certificar-se de que todos os funcionários estão exactamente nos locais onde sao necessários e também manter o bom funcionamento de todas as áreas envolvidas tais como restaurante, bar, salas de conferencia e o Club Louge que ficava no 8vo andar. Tal como alguns colegas meus, havia dias em que fazíamos o “floating”, ou seja, não éramos destacados para um único local mas sim para vários em determinados dias. Dependia da disponibilidade e fluência de movimento.

Basicamente, este individuo assim que ganhou um posto mais elevado, começou a achar-se no direito de “sufocar” as pessoas ao ponto de não as deixar expressarem-se quando haviam situações mais delicadas e em alguns casos incutia medo nas mesmas. No meu caso, esta pessoa tinha sempre, e constantemente algo com que reclamar, nada do que eu fazia estava ao agrado deste supervisor, nunca nada estava bem. “Ah mas ele só puxava pelas pessoas”. Não. Havia sempre os escolhidos. Haviam colegas meus que só olhavam para ele, e ele calava-se, depois, naqueles que não lhe podiam fazer frente ele acreditava que podia fazer e principalmente dizer o que bem quisesse. Ou seja “bullying” no local de trabalho, coisa que acontece muito entre portugueses em outros países.

Só que nem todos nós portugueses temos medo uns dos outros. E como ás vezes só queremos estar de boa e não arranjar problemas com nada e com ninguém, preferimos nos retirar. Quantas e quantas vezes eu tive uma vontade incontrolável de esmurrar este FdP… Só que para este supervisor português isto no fundo era uma forma de diversao. Ele usava esta tática para que as pessoas acabassem por ir embora e desistissem do trabalho, porque na verdade e que eu tenha conhecimento, acho que nunca despediu ninguém. Ele certificava-se de que os funcionários o faziam por vontade própria.

Foi então aí, que eu vi que tinha que dar o fora senao as coisas não iam correr bem para o meu lado. Felizmente já tinha um trabalho para começar noutro sitio e então num belo dia, em que tinha de fazer uma das secções do hotel onde trabalhava, fiz o meu turno normal, antes de terminar fiz toda a limpeza e preparação necessária, e falei lá com um indiano que era supervisor também, e entreguei a minha farda e o meu crachá.

Posso dizer que foi o dia mais triste embora eu tenha passado por situações nao muito boas, todos os dias vir para casa zangado, frustrado e sem saber muito bem o que fazer para melhorar a situação. Eu já trabalhava naquele sitio muito antes deste supervisor português passar a outro posto. Era stressante, sim era, mas ainda assim ainda se conseguia levar as coisas e controlar a cena. Mas depois que ele se juntou á equipa, eu senti que havia qualquer coisa que nao ia correr bem.

Houve tentativas de falar com este FdP, com outros supervisores sobre as situações que ocorriam com esta pessoa, e nunca nada foi feito, zero… Mas isso talvez porque eu tenha sido o único a chegar-me a frente, porque mais ninguém foi capaz de fazer nada e sabiam do que se passava, era “miufa”, mas pronto, entende-se.

Hoje posso dizer que trabalho num restaunte / pub onde as pessoas me admiram, gostam do meu trabalho, veem que eu sei trabalhar, e respeitam-me por isso, e isto inclui os managers que, na maioria das vezes me elogiam e estão sempre do meu lado para ajudar no que for necessário. Felizmente não trabalho com portugueses e nada do que eu faço neste restaurante me foi ensinado por este supervisor português que tive no hotel.

Moral da historia: a nível profissional, sempre que puderem, evitem trabalhar com portugueses no estrangeiro. Se tiver que ser, paciência, epá mas evitem. Acreditem, não vai correr bem.

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Blog De Um Tuga

Criador do blogue "blogdeumtuga.com" fala e escreve sobre as suas experiências pessoais e aborda alguns assuntos de interesse dependendo do seu ponto de vista e opinião pessoal. Fotógrafo amador e blogger português. WordPress site designer. Locutor / Broadcaster.

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