A minha primeira vez como empregado de mesas – Hilariante

Ser empregado de mesa pode ás vezes ser um pouco difícil, mas quando se gosta do que se faz, nao ha qualquer dificuldade que se cruze no nosso caminho. E desde muito novo que sempre tive um gosto por tudo o que diz respeito á hotelaria.

Eu devo ter começado com os meus 16 ou 17 anos a trabalhar como empregado de mesas e balcão em Portugal logo após os meus pais terem falecido. Eu já tinha largado a escola á muito tempo e após isso decidi que iria fazer qualquer coisa, decidi que iria trabalhar e fazer algo. Mas nunca tive um trabalho na minha vida até começar num restaurante na Pampilhosa. Antes disso eu sempre pensei que as coisas eram bem mais fáceis, mas nem por isso.

No meu primeiro dia de trabalho, eu não tinha qualquer tipo de noção ou ideia do que era a hotelaria, pensava que era como nas tascas daquela zona, um par de clientes para atender e tava tudo bem. Lembro-me perfeitamente que naquela manha, antes dos almoços, eu simplesmente encostei-me ao balcão a ver TV porque não sabia o que fazer e ninguém na verdade me dava formação ou dizia o que era preciso fazer, e para mim era completamente normal, eu nunca tinha sido empregado de nada e ninguém me orientava.

Só depois passado 1 ou 2 dias as pessoas que trabalhavam comigo começaram a ver a minha situação e perceberam que se não me guiassem, eu estaria perdido ou poderia ate mesmo ser despedido, mas acho que isso numa altura chegou a acontecer porque depois o meu falecido irmão acabou por ir no restaurante e explicar ao patrão que eu não sabia nada do negocio e nunca tinha trabalhado na vida. Daí os meus colegas terem-me começado a ensinar certas coisas.

Comecei a aprender as coisas básicas como limpar talheres, preparar as mesas para os almoços ou jantares, cenas relacionadas com a limpeza, organização duma cozinha, balcão, enfim, até cadeiras e pernas das mesas limpava quando não havia nada que fazer. Mas uma coisa que eu aprendi neste ramo é que “há sempre alguma coisa para fazer”. O ramo hoteleiro deve ser das profissões ou tipo de negocio onde nunca se está parado. Quer a gente queira ou não, há sempre algo que podemos e devemos fazer num restaurante… excepto pegar lagostas com as mãos.

Uma coisa que eu não percebia, era que quando chegam clientes, nós devemos cumprimentar e indicar uma mesa vaga dependendo se é uma, duas ou mais pessoas, na maioria das vezes tínhamos grupos. E não eram grupos de 5, ou 8 ou 10 pessoas, eram pequenos grupos de 20, 30, 50 ou mais pessoas, e uma vez cheguei a servir num casamento nesse mesmo restaurante. E foi a partir desses dias que eu comecei a mentalizar-me que o ramo hoteleiro é muito bom mas tem também o lado menos positivo como por exemplo as reclamações, clientes que não sabem o que querem e acham que são os únicos naquele restaurante, os tempos prolongados de espera, o ter que se atender vários clientes ao mesmo tempo, etc. E ha mais de 30 anos atrás não haviam sistemas de monitores indicando o tipo de comida e a que mesa levar como no meu actual trabalho. O que os cozinheiros faziam, era colocar a comida na janela da cozinha, tocavam a campainha, e tínhamos que saber o que era aquele prato e não esquecer a qual mesa levar, e tinha de ser por ordem. Hoje em dia obviamente que está tudo mais facilitado.

Puto novo, sem experiencia, não sabe o que é trabalhar e nunca fez nada na vida, la fazia a minha cena, até que um dia, num dia por acaso bastante movimentado, o meu patrão (velho, gordo e cabelo branco) juntamente com os seus amigos na sua mesa do costume, chama-me para me perguntar algo que eu já nem me lembro o que era. Eu não sei se lhe respondi ou se não lhe disse nada. Só sei que de seguida levo com um copo de agua na cara atirado pelo meu patrão. Eu não me lembro qual foi a minha reacção naquela altura mas certamente devo ter acabado a chorar de nervos, pois eu já tinha consciência que não podia fazer muita coisa para me defender.

Ainda fiquei nesse restaurante durante uns 2 ou 3 meses, fui aprendendo, e depois saí para me poder mudar para Lisboa. Foi então nessa altura que comecei a ter outros trabalhos baseados em restauração como padarias, empregado de balcão no aeroporto de Lisboa (na altura Iberusa e Astrolábio), restaurantes mais pequenos e outros maiores, até na Expo trabalhei. E até hoje, passados mais de 30 anos tenho tentado aperfeiçoar a cada dia o meu método de trabalho e ensinar outras pessoas como se trabalha neste ramo.

Nem sempre é fácil, mas quando se gosta do que se faz, fazemos cada dia melhor.
E eis então a minha historia de como foi a minha primeira vez como empregado de mesas e balcão! 🙂

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