Este assunto pode ser um pouco extenso, mas nada complicado ou algo por ai alem. Contudo, ha que fazer um “trabalho de casa” antes de sairmos do nosso país para ir viver para outro. Neste caso, vou tentar colocar as coisas por artigos para que seja mais facil para todos aqueles que estiverem interessados em viver no Reino Unido.

Atenção que tudo aqui escrito é a maneira como eu vejo as coisas e da forma mais fácil possível, embora eu compreenda que nem todas as pessoas vem com o mesmo objectivo. Mas vamos lá.

Nem toda a gente quem vem para o RU ou outro país, vem para estudar, visitar a família ou para passar ferias, muitos tem que vir para cá porque em Portugal, e como nós sabemos, as coisas por lá não andam muito famosas, como nunca andaram, então chega uma altura que temos de mudar algo e fazer alterações na nossa vida para que possamos melhorar o nosso estilo de vida e conforto.

Aquilo que eu costumo dizer é: tirem pelo menos uma semana de ferias, arranjem um amigo ou conhecido que vos possa ter em casa dele durante este tempo, e vos possa orientar e dar umas luzes de como é viver aqui ou noutro país qualquer, mas vamos nos focar no RU.

Muito importante e acima de tudo, há que ter condições mínimas financeiras. Se a pessoa vem para estudar o terreno e passar ferias, entre 200 a 300 euros chega perfeitamente, eu quando vou a Paris levo muito menos e chega-me, e como sabemos, Paris é caro. Se a pessoa já vem com tensões de ficar e tendo ajuda de outros, entre 500 a 600 euros é o ideal. Mesmo tendo quem ajude e por alguma razao tenha de ficar noutro tipo de alojamento, nesse caso terá de ser um pouco mais que 600 euros uma vez que em parte estará por sua conta e depende também do limite de tempo que a pessoa queira ficar até arranjar trabalho. Há quem venha e demore algum tempo a conseguir um trabalho, e como as economias não duram para sempre, a pessoa tem de ponderar o caso de voltar a Portugal se for necessário. Atenção que os valores sao uma estimativa aproximada.

Primeiro que tudo, temos de ter algumas luzes básicas de língua inglesa.
As escolas ensinam o inglês básico: os nomes das coisas, números, saudação pessoal, as cores, alimentos, etc. Mas quando toca á conversação as coisas podem ser bem diferentes. Eu tive a disciplina de inglês na escola e depois mais tarde no curso de geriatria que frequentei. Mas não havia grande diferença. Para aprender o inglês de conversação, a pessoa tem de estar num pais onde esse seja o idioma. A minha primeira semana no RU, só foi um pouco complicado quando as pessoas falavam comigo, eu entendia a maioria das coisas mas falar como eles estava um pouco longe de se tornar uma realidade. A melhor forma de aprender o idioma foi ouvindo os outros a falar e ao mesmo tempo aprender. Fui ganhando pratica, fui tentando aperfeiçoar o meu inglês, e hoje em dia, passados 11 ou 12 anos, já consigo falar, escrever, e ter uma conversação complexa com alguém.

Conclusão, não é preciso ser um “expert” no inglês, mas também convém que se saiba o mínimo dos mínimos, porque senao pode ser um pouco chato e complicado. Mas por isso mesmo é que convém ter alguém do nosso lado que nos oriente, e não vir para um país deste tipo completamente á toa. Também não há muitas razoes para preocupação porque os próprios ingleses ajudam quando reparam que a pessoa tem dificuldades de comunicação por não saber a língua.
Por isso é na boa.

Isso de não saber o inglês a 100% pode afectar na procura de trabalho?

Depende do que se vai fazer.
Se vais trabalhar para um armazém, ou por exemplo, como empregado de limpezas, não faz falta que se fale muito uma vez que as funções geralmente sao sempre as mesmas, e não precisamos de interagir com quase ninguém. No acto em si da procura de trabalho também é algo muito relativo, mas o Job Center (Centro de Emprego) poderá eventualmente ter tradutores. Muitos não tem. Mas lá está: é sempre bom ter alguém por perto que nos ajude, e na maioria das vezes isso acontece.
Mas nunca ninguém está completamente sozinho nesta fase, e conheço pessoas que nunca falaram inglês na vida e teem trabalho.

Se não podes, não queres, ou não tens possibilidades de te inscrever numa escola de inglês, então, vais ouvindo e praticando á medida que te vais cruzando com as pessoas. Foi assim que aprendi espanhol, e foi também desta forma que aprendi o idioma inglês de um modo mais extenso. Pode parecer estúpido, mas conheço pessoas que estão cá a 3 e 4 anos e não sabem puto de inglês, ou então percebem mas não falam, ou vice-versa. Nestes casos nota-se que a pessoa ou tem mesmo problemas de aprendizagem, ou entao está mesmo a borrifar-se e não faz sequer um esforço para aprender.

Escolaridade obrigatória, habilitações literárias, idade máxima… Pedem isso num trabalho?

Aqui no RU não. Sempre tive trabalho aqui e isso foi foram coisas que nunca me perguntaram. Por exemplo, o melhor site e aplicação para se encontrar trabalho é o Gumtree, ou o Indeed, e mencionam logo se preferem um senhor ou uma senhora para determinados trabalhos, mas geralmente os trabalhos disponíveis, estão sempre abertos para qualquer idade (incluindo estudantes), qualquer país, sexo ou idade. Por exemplo, no meu local de trabalho temos um senhor na casa dos seus 60 ou 70 anos e trabalha como KP, ou em português, copeiro, mas também cozinha, faz comida para os clientes.

Algo muito importante que tem de ser feito e só assim se poderá ter mais chances de conseguir um trabalho, é fazer um CV ou, Curriculum Vitae, mencionando todos os locais onde se exerceu as funções e o que fazia nos mesmos, e respectivas datas caso se recorde juntamente com o tempo que esteve em cada um deles. Infelizmente aqui não há “cunhas” como em Portugal.

No que diz respeito á escolaridade também é algo que não se devem preocupar. O que os ingleses querem na verdade sao pessoas que estejam interessadas em trabalhar. Agora, se o objectivo é trabalhar num escritório como contabilista por exemplo, é óbvio que aí já pedem alguns conhecimentos e um grau de escolaridade especifico para as funções que iram ser desempenhadas nesse sector.

Que documentos preciso para poder comecar a trabalhar?

Os únicos documentos que sao precisos para começar a trabalhar, sao: o Cartão de Cidadão português, National Insurance Number (Numero de Contribuinte do Reino Unido), e conta bancaria também do Reino Unido. Tendo isto, esta-se pronto para começar em qualquer trabalho. Outro documento que poderá vir a ser necessário é o Boletim de Vacinas.

Para obter uma conta bancaria no RU, é preciso dirigir-se a um banco na area de residencia, preferencialmente. Depois é ver as condições que colocam, ter uma morada e possivelmente uma pequena quantia para se poder fazer um pequeno deposito. Mas atenção que nem todos os bancos simplificam as coisas. Os bancos em destaque e mais fáceis de abrir conta sao o Halifax ou o Lloyds. Não tenho conhecimento como funcionam os outros. A conta bancaria é obrigatório para que a entidade onde se esta a trabalhar te possa pagar, e óbvio para fazer compras e etc.
Geralmente pagam á semana ou ao mês.

O NIN, ou mais conhecido National Insurance Number pode ser requisitado no centro de emprego mais próximo. A pessoa so tem de se dirigir até lá, ligar para um dos números gratuitos através dos telefones disponíveis no centro, dar os seus dados e dizer porque razão está a aplicar para o NIN, e depois de algumas semanas receberá uma notificação por correio para ir levantar o cartão ou o documento que prova que a pessoa tem o documento pronto. Apos ter conta bancaria e numero de contribuinte inglês a pessoa está apta para começar a trabalhar legalmente em qualquer entidade ou local.

Este é um artigo básico para quem está a pensar viver e trabalhar no RU. Claro que algumas coisas podem ser diferentes e depois do Brexit é provável que hajam alterações para quem esteja agora a vir, mas nada que seja assim tao difícil. Claro que isto foi tudo o meu caso, como aconteceu comigo, poderá não ser igual para outras pessoas.

No próximo artigo vou falar sobre alojamento, o que evitar, e a melhor forma de encontrar um quarto fora do centro da cidade.

Até a próxima!

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Blog De Um Tuga

Criador do blogue "blogdeumtuga.com" fala e escreve sobre as suas experiências pessoais e aborda alguns assuntos de interesse dependendo do seu ponto de vista e opinião pessoal. Fotógrafo amador e blogger português. WordPress site designer. Locutor / Broadcaster.

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